Abrir tickets por e-mail no GLPI 11: Gmail, Microsoft 365 e o e-mail que desaparece sem aviso

Como configurámos o coletor de e-mail do GLPI 11 no nosso suporte: pastas, regras e anexos, a diferença entre Gmail e Microsoft 365 (OAuth com o plugin OAuthIMAP) e porque, por omissão, quem não tem conta é recusado em silêncio.

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Ligámos o [email protected] ao nosso GLPI 11 esta semana: o e-mail passa a ticket e a resposta do cliente passa a acompanhamento no mesmo ticket. Mas, na configuração predefinida, quando alguém sem conta no GLPI escreve, o e-mail vai para a pasta de recusados e ninguém recebe nada. Este guia mostra a configuração que usamos, o que muda entre o Gmail e o Microsoft 365 e as regras que decidem se um e-mail passa a ticket ou desaparece.

Como funciona o coletor

O GLPI lê uma caixa de correio por IMAP em intervalos fixos. Para cada mensagem:

  • Um e-mail novo passa a ticket, com o assunto como título e o corpo como descrição. Os anexos vêm junto, até ao limite configurado.
  • Uma resposta a um ticket passa a acompanhamento. O GLPI reconhece a resposta pelos cabeçalhos da mensagem, não só pelo assunto.
  • Quem estava em cópia pode entrar como observador.
  • Depois de processada, a mensagem é movida para uma pasta de aceites ou de recusados, e a caixa de entrada fica limpa.

A recolha é uma ação automática (mailgate) que, por predefinição, corre a cada 10 minutos e lê até 10 e-mails de cada vez. Ou seja, um ticket por e-mail pode demorar até 10 minutos a aparecer.

A configuração que usamos

Em Configurar > Destinatários:

Campo O que usamos
Servidor imap.gmail.com, porta 993, IMAP com SSL e validação de certificado
Login A conta que recebe o chamados@ (um alias que entrega nessa caixa)
Pasta de arquivo de e-mails aceitos GLPI-Importados
Pasta de arquivo de e-mails recusados GLPI-Recusados
Tamanho máximo de cada arquivo importado 10 MB
Adicionar usuários do campo "CC" como observador Sim
Coletar apenas e-mails não lidos Não (as pastas já separam o que foi processado)

E uma regra de coletor que define a entidade do ticket. Sem regra, o e-mail não tem para onde ir.

Gmail ou Microsoft 365: a autenticação muda tudo

O GLPI 11 liga-se por IMAP com utilizador e palavra-passe. O que muda é o que cada fornecedor aceita:

  • Gmail / Google Workspace: funciona com palavra-passe de aplicação (a conta precisa da verificação em dois passos), que é o que usamos. Para quem prefere OAuth, existe o plugin oficial OAuthIMAP.
  • Microsoft 365 / Exchange Online: a Microsoft desativou a autenticação básica no IMAP; utilizador e palavra-passe já não funcionam. O caminho é o plugin OAuthIMAP (versão 1.5 para o GLPI 11), com uma aplicação registada no Microsoft Entra ID.

O OAuth não vem pronto no GLPI 11. No nosso próprio GLPI havia um coletor antigo com OAuth da Google que dependia do plugin. O plugin saiu, o coletor ficou inativo e acumulou 1.846 erros sem que ninguém desse por isso. Se usar OAuth, mantenha o plugin no plano de atualizações e vigie o contador de erros do coletor.

Quem passa a ticket: as regras que apanham de surpresa

Fluxograma: o GLPI 11 ignora notificações próprias e remetentes na lista negra, transforma respostas em acompanhamento ou em ticket novo associado, cria o ticket para quem tem conta e direito, e recusa o resto se o ticket anónimo estiver desligado
Com a configuração padrão, quem não tem conta no GLPI é recusado em silêncio. Caminho conferido no código do GLPI 11, NexTool, 4/10/2026.
O que chega O que o GLPI faz
E-mail de quem tem conta e pode abrir tickets na entidade Cria o ticket
E-mail de quem não tem conta, com o ticket anónimo desativado (a predefinição) Recusa: a mensagem vai para a pasta de recusados e fica registada em "E-mails não importados"
E-mail de quem tem conta, mas sem direito a abrir tickets nessa entidade Recusa, pelo mesmo caminho
Resposta a um ticket aberto Passa a acompanhamento
Resposta a um ticket fechado Cria um ticket novo, ligado ao antigo
Notificação enviada pelo próprio GLPI Ignora, para evitar um ciclo
Remetente na lista negra Ignora

A linha que mais apanha as pessoas é a segunda. Num service desk interno, toda a gente tem conta e a predefinição funciona. Num suporte a clientes, metade dos e-mails pode vir de quem nunca entrou no GLPI. E a recusa é silenciosa: ninguém responde ao remetente, a não ser que uma regra mande responder.

As três saídas, da mais aberta para a mais controlada:

  1. Criar automaticamente o usuário a partir do e-mail (opção do próprio coletor): quem escreve ganha uma conta e o ticket é aberto. No nosso suporte, é a que usamos.
  2. Permitir a criação de chamado anônimo (configuração geral de Assistência): o ticket é aberto com o e-mail do remetente, sem criar conta.
  3. Regra de coletor que recusa com resposta: o remetente recebe um aviso ("abra o seu ticket pelo portal"), em vez de ficar sem nada.

Escolha uma de propósito. O pior cenário é a predefinição sem que ninguém saiba dela.

Como testámos

Com o coletor ativo no nosso GLPI de suporte:

  1. Um e-mail de teste para o chamados@ passou a ticket na passagem seguinte da recolha, com o remetente reconhecido como requerente.
  2. A resposta por e-mail à notificação do ticket entrou como acompanhamento no mesmo ticket.
  3. A mensagem saiu da caixa de entrada e foi para GLPI-Importados.
  4. Verificámos no código do GLPI 11 o caminho de cada caso da tabela acima (remetente desconhecido, sem direito, ticket fechado, anti-ciclo).

Checklist antes de divulgar o endereço

  1. Coletor com as pastas de aceites e recusados criadas na caixa.
  2. Regra de coletor a definir a entidade (e, se quiser, a categoria ou o grupo).
  3. Decisão tomada para o remetente sem conta: criar utilizador, anónimo ou recusar com resposta.
  4. Limite de anexos de acordo com o que os clientes enviam (capturas de ecrã e PDF costumam passar dos 2 MB).
  5. Cron do GLPI a correr pela linha de comandos (veja o passo 6 de como instalar o GLPI 11).
  6. Notificações configuradas, para o cliente receber o número do ticket e poder responder: notificações por e-mail no GLPI.
  7. Consultar "E-mails não importados" e o contador de erros do coletor uma vez por semana no primeiro mês.

Para eliminar duplicados, assinaturas e respostas automáticas antes de passarem a tickets, veja o Mail Analyzer.


Configuração e teste da NexTool a 4 de outubro de 2026, no GLPI 11.0.7 do nosso suporte, com o endereço [email protected]. Comportamentos de recusa, resposta e anti-ciclo verificados no código-fonte do GLPI 11. Plugin OAuthIMAP: versão 1.5.4 (GLPI 11.0.x), segundo o repositório oficial.

Perguntas Frequentes

Configure um coletor em Configurar > Destinatários a apontar para a caixa de e-mail por IMAP, crie as pastas de aceites e recusados e uma regra de coletor que defina a entidade. A ação automática mailgate lê a caixa a cada 10 minutos por omissão.

O motivo mais comum é o remetente não ter conta no GLPI com o ticket anónimo desligado, ou não ter direito de abrir tickets na entidade. O e-mail vai para a pasta de recusados e aparece em E-mails não importados.

Sim, mas a Microsoft desligou a autenticação básica no IMAP. É preciso OAuth, com o plugin OAuthIMAP (versão 1.5 para o GLPI 11) e uma aplicação registada no Microsoft Entra ID.

Sim. Com a verificação em dois passos ativa, use uma palavra-passe de aplicação no coletor IMAP; ou use OAuth com o plugin OAuthIMAP.

O GLPI cria um ticket novo, associado ao antigo, em vez de reabrir o ticket fechado.

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