GLPI para além da TI: atendimento para RH, Jurídico e Facilities

O ESM no GLPI não é ligar um botão: é decidir como isolar RH, Jurídico e Facilities - por entidade, categoria ou grupo. Matriz de decisão, um SQL de auditoria de visibilidade, um modelo de notificação e o erro comum que expõe dados confidenciais.

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Colocar RH, Jurídico e Facilities no mesmo GLPI da TI não é ligar um botão - é uma decisão de arquitetura. O Enterprise Service Management (ESM) reaproveita o motor de ITSM que já opera, mas o que separa um projeto que escala de um que se torna uma confusão é a forma como cada área é isolada: por entidade, por categoria ou por grupo. Errar essa escolha custa retrabalho e, no caso de RH e Jurídico, expõe dados confidenciais.

A primeira decisão: entidade, categoria ITIL ou grupo?

Antes de criar um formulário ou um SLA, defina a unidade de isolamento. O GLPI oferece três caminhos para modelar uma área fora da TI, e cada um tem um compromisso real entre confidencialidade e esforço de gestão.

AbordagemIsolamento de dadosSLA/calendário próprioEsforço de gestãoQuando usar
Entidade dedicadaTotal (pedidos, anexos e relatórios separados)Sim, por entidadeAlto (perfis, regras e categorias por entidade)RH e Jurídico, onde há sigilo
Categoria ITIL + grupoParcial (quem tem a entidade vê tudo)Partilhado; o SLA pode variar por categoriaBaixoFacilities e áreas sem confidencialidade forte
Subentidade sob a TIAlto, herdando a governação da casa-mãeSimMédioÁrea que responde à mesma direção

A regra prática que aplicamos: se um pedido da área pode conter um dado que a TI não deveria ler - folha de vencimentos, um contrato, um processo laboral - a resposta é uma entidade dedicada. Para o resto, categoria mais grupo resolvem com uma fração do esforço.

Isolamento de dados: o ponto cego do RH e do Jurídico

Na sustentação de parques GLPI de clientes, o erro que mais vemos num projeto de ESM não é de formulário, é de visibilidade. Alguém cria a entidade "Jurídico", cuida das categorias, mas concede o perfil aos analistas da TI de forma recursiva a partir da raiz - e pronto: a TI passa a ver todos os pedidos do Jurídico, anexos incluídos. Pior: no GLPI o anexo herda a entidade do pedido (o vínculo Document_Item exige que o ficheiro e o item estejam na mesma entidade), pelo que um contrato anexado a um pedido numa entidade partilhada fica visível para todos os que têm acesso a essa entidade. É por isso que, para o Jurídico, isolamos por entidade, nunca por categoria.

Antes de abrir qualquer área sensível, corremos esta auditoria para descobrir quem tem um acesso demasiado amplo:

-- Auditoria de visibilidade: quem ve pedidos de TODAS as areas.
-- Executar na base de dados do GLPI. O acesso recursivo a partir da raiz (entities_id = 0,
-- is_recursive = 1) faz o utilizador ver os pedidos de todas as entidades filhas.
SELECT u.name         AS utilizador,
       p.name         AS perfil,
       e.completename AS entidade_base,
       pu.is_recursive
FROM glpi_profiles_users pu
JOIN glpi_users    u ON u.id = pu.users_id
JOIN glpi_profiles p ON p.id = pu.profiles_id
JOIN glpi_entities e ON e.id = pu.entities_id
WHERE pu.is_recursive = 1
  AND pu.entities_id = 0
ORDER BY p.name, u.name;

Cada linha é um utilizador que vê tudo. Para as áreas confidenciais, o vínculo perfil-utilizador deve apontar para a entidade específica com o is_recursive desligado. E cuidado com um pormenor do GLPI: a entidade de id 0 é a raiz, um valor válido - não a trate como "vazia".

SLA e calendário por área: o erro do 8x5 no Facilities

O SLA no GLPI está ligado a um calendário (horário de trabalho), e o calendário é definido por entidade. O erro comum é criar o Facilities herdando o calendário 8x5 da TI e prometer um SLA de manutenção de edifícios que, na prática, não corre à noite nem ao fim de semana - justamente quando um ar condicionado de datacenter ou uma falha elétrica exigem resposta. Antes de publicar o SLA de uma área, verifique:

  • Calendário: Facilities crítico costuma exigir 24x7; RH e Jurídico funcionam bem em 8x5.
  • Feriados: o calendário do GLPI aceita feriados e encerramentos - preencha-os, senão o SLA conta tempo fora do horário.
  • Escalonamento: defina o grupo técnico da área antes de ligar o SLA, senão o pedido expira sem destinatário.

Onboarding multiárea: o fluxo que paga o ESM

O caso que justifica o investimento mais depressa é o onboarding. Um formulário "Novo colaborador" (nativo no GLPI 11, ou FormCreator no GLPI 10) despoleta pedidos coordenados: a TI cria e-mail e acessos, o Facilities prepara o posto de trabalho, o RH trata da documentação. Cada pedido nasce na entidade certa, com o grupo certo, e notifica o responsável. Um excerto de um modelo de notificação que usamos para o alerta de abertura na área:

Assunto: [##ticket.entity##] Onboarding: ##ticket.title## (##ticket.id##)

Foi aberto um novo pedido e aguarda a sua area.

Pedido......: ##ticket.title##
Entidade....: ##ticket.entity##
Categoria...: ##ticket.category##
Requerente..: ##ticket.authors##
Grupo.......: ##ticket.assigntogroups##
Prazo (SLA).: ##ticket.time_to_resolve##
Abrir.......: ##ticket.url##

As ##...## são etiquetas nativas do GLPI, substituídas no momento do envio. O erro comum aqui é criar as categorias da área e esquecer de as marcar como visíveis no helpdesk (o campo is_helpdeskvisible): o colaborador abre o portal de autoatendimento e não encontra a categoria de RH, porque nasceu visível apenas para a interface técnica.

Checklist de implementação

  1. Mapeie os serviços da área (o que atende) antes de tocar no GLPI.
  2. Decida a unidade de isolamento pela tabela acima (entidade vs categoria vs grupo).
  3. Crie a entidade pela interface - nunca via SQL (o GLPI constrói a árvore com getSonsOf e um INSERT direto fica invisível na hierarquia).
  4. Configure o calendário e o SLA da área.
  5. Crie as categorias ITIL e marque a visibilidade no helpdesk.
  6. Crie o grupo técnico e os perfis, com o âmbito de entidade correto (corra a auditoria de recursividade).
  7. Monte o formulário (nativo no 11 ou FormCreator no 10) e teste com um pedido real em pré-produção.
  8. Só então liberte para os utilizadores e publique as métricas.

O que medir (intervalos honestos)

Com as áreas no mesmo GLPI, compara o que antes era incomparável: tempo médio de resposta, volume por categoria e taxa de reabertura, lado a lado entre TI, RH e Facilities. Não prometa um número mágico: reduzir o "e-mail perdido" costuma ser o ganho mais visível no primeiro mês, porque todo pedido passa a ser um registo rastreável. O ganho de tempo no onboarding depende de quanto do fluxo automatiza - quantas mais tarefas o formulário despoletar sozinho, maior o efeito.

Na NexTool implementamos e sustentamos GLPI multiárea para clientes, do desenho das entidades ao SLA e às regras de encaminhamento. Se quer levar o GLPI para além da TI sem expor dados do RH ou do Jurídico, os nossos serviços de suporte e sustentação cobrem esse desenho de ponta a ponta.


Revisto pela equipa NexTool Solutions.

Perguntas Frequentes

Nem sempre. Use uma entidade dedicada quando houver dados confidenciais (RH, Jurídico), porque a entidade isola pedidos, anexos e relatórios. Para áreas sem sigilo forte, como boa parte do Facilities, uma categoria ITIL mais um grupo técnico resolvem com muito menos gestão. A decisão é entre isolamento total e esforço de configuração.

Isole por entidade e conceda os perfis apontando para a entidade específica, com o acesso recursivo desligado. A fuga clássica é dar o perfil de forma recursiva a partir da raiz (entities_id 0, is_recursive 1), o que faz o utilizador ver todas as entidades. Audite esses vínculos antes de abrir qualquer área sensível. Lembre-se também de que o anexo herda a entidade do pedido.

Sim. O SLA apoia-se num calendário, e o calendário é por entidade. Facilities crítico costuma exigir 24x7; RH e Jurídico funcionam bem em 8x5. Preencha feriados e encerramentos no calendário, senão o SLA conta tempo fora do horário, e defina o grupo técnico antes de ativar o SLA para que o pedido não expire sem destinatário.

No GLPI 11 use os formulários nativos do core - o FormCreator standalone não corre nessa versão. No GLPI 10, o FormCreator (linha 2.13.x) é o caminho maduro. Em ambos, um formulário pode gerar pedidos em entidades e grupos diferentes, o que é a base do onboarding multiárea.

Quase sempre é a visibilidade no helpdesk. A categoria ITIL tem o campo is_helpdeskvisible; se estiver desligado, a categoria só aparece na interface técnica, não no autoatendimento. Marque a visibilidade no helpdesk e verifique também se a categoria está na entidade certa (ou recursiva a partir dela).

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